Cannabis medicinal para dor crônica: quando é indicada

Cannabis medicinal para dor crônica: quando é indicada

Por Equipe editorial INKI7 min de leituraPublicado em

A cannabis medicinal pode ser considerada em alguns casos de dor crônica, principalmente a dor neuropática, quando os tratamentos convencionais não trouxeram alívio suficiente. Os benefícios observados nos estudos são pequenos e variam entre pessoas, e os efeitos adversos são frequentes. A indicação, o produto e a dose são definidos em consulta médica.

Pontos-chave

  • A dor neuropática concentra a maior parte dos estudos de cannabis medicinal para dor.

  • Uma revisão Cochrane de 2018 encontrou benefício pequeno, com evidência de qualidade muito baixa a moderada.

  • A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) não endossa o uso geral de canabinoides para tratar dor.

  • Efeitos adversos no sistema nervoso e transtornos psiquiátricos foram mais frequentes com cannabis do que com placebo.

  • A cannabis medicinal não substitui o tratamento multidisciplinar da dor.

O que é cannabis medicinal para dor?

Cannabis medicinal para dor é o uso, com prescrição, de produtos com canabidiol (CBD), tetra-hidrocanabinol (THC) ou a combinação dos dois para aliviar a dor crônica. No Brasil, esses produtos são regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pela Resolução RDC nº 1.015/2026 (art. 35), só podem ser prescritos quando não há alternativa terapêutica satisfatória com medicamentos regularizados no país.

Os estudos clínicos sobre dor usaram principalmente produtos com THC ou com THC e CBD. Há pouca evidência sobre o CBD isolado na dor. O Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados do Reino Unido (NICE) orienta oferecer CBD isolado para dor crônica apenas em pesquisa clínica.

Quais tipos de dor crônica foram estudados com cannabis medicinal?

Os tipos de dor crônica estudados com cannabis medicinal têm níveis de evidência diferentes. A dor neuropática reúne a maior parte dos ensaios clínicos. Em outros tipos de dor, os estudos são menores ou ainda estão em andamento.

  1. Dor neuropática: dor causada por lesão ou doença dos nervos, com benefício pequeno na revisão Cochrane de 2018.

  2. Fibromialgia: evidência insuficiente, e o NICE recomenda novas pesquisas com CBD nessa condição.

  3. Dor neuropática persistente que não responde ao tratamento: também incluída nas recomendações de pesquisa do NICE.

  4. Dor oncológica intratável: o NICE indicou necessidade de estudos de eficácia e de custo.

Por que a dor crônica nem sempre responde aos analgésicos comuns?

A dor crônica nem sempre responde aos analgésicos comuns porque os mecanismos são diferentes dos da dor aguda. Na dor neuropática, por exemplo, o problema está no próprio nervo ou no sistema nervoso. Fatores como sono ruim, estresse e inatividade também mantêm a dor crônica e precisam de tratamento.

Como é feita a avaliação antes de considerar cannabis medicinal para dor?

A avaliação antes de considerar cannabis medicinal para dor começa pela identificação do tipo de dor e da causa. O médico revisa os tratamentos já feitos, com doses e duração, e avalia saúde mental, uso de álcool e outras drogas e medicamentos em uso. A cannabis só entra depois das opções estabelecidas.

  • Tipo de dor: neuropática, inflamatória, mista ou nociplástica, como na fibromialgia.

  • Escalas de dor e de função: medem intensidade, sono e atividades diárias antes e depois de qualquer mudança.

  • Tratamentos anteriores: medicamentos para dor neuropática, fisioterapia, atividade física e psicoterapia.

  • Riscos individuais: histórico de dependência ou de psicose, gravidez e uso de outros remédios que causam sonolência.

Como é o tratamento da dor crônica com cannabis medicinal?

Na revisão Cochrane de 2018, com 16 ensaios e 1.750 adultos com dor neuropática, 39% dos que usaram produtos de cannabis tiveram alívio de pelo menos 30% da dor, contra 33% com placebo. Os autores avaliaram que os possíveis benefícios podem ser superados pelos danos. A IASP não endossa o uso geral de canabinoides para dor.

Quando o médico considera a cannabis medicinal, o produto costuma ser usado como complemento, com dose baixa, ajuste gradual e reavaliação em poucas semanas. Sem melhora clara da dor e da função, o uso pode ser suspenso.

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Importante

O tratamento da dor crônica continua multidisciplinar, com atividade física, fisioterapia e apoio psicológico.

Quando procurar um médico?

Procure um médico se a dor persistir por semanas, piorar, mudar de características ou atrapalhar o sono e o trabalho. Procure também se surgirem efeitos adversos durante o uso de cannabis, como sonolência intensa, confusão ou alterações de humor.

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Emergência

Ligue 192 (SAMU) em caso de dor súbita e intensa no peito, fraqueza de um lado do corpo ou perda de consciência.

Como a INKI acompanha pacientes com dor crônica?

A INKI oferece consultas particulares por teleconsulta ou presenciais com médicos selecionados, com CRM e RQE informados nos perfis. Pessoas com dor crônica podem agendar consulta em clínica médica, neurologia, reumatologia ou na especialidade ligada à causa da dor para revisar o diagnóstico e o plano de cuidado.

Receitas e pedidos de exames são emitidos com assinatura digital, válidos em todo o Brasil, exceto quando a norma sanitária exige formulário próprio, como em algumas receitas de produtos controlados. A consulta gera nota fiscal, que pode ser usada no pedido de reembolso ao plano de saúde. O agendamento é feito pelo WhatsApp (11) 5444-2444.

Perguntas frequentes sobre cannabis medicinal para dor

CBD funciona para dor?

As evidências sobre o canabidiol (CBD) isolado na dor crônica são escassas. A maior parte dos estudos usou produtos com THC ou com THC e CBD. O Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados do Reino Unido (NICE) orienta oferecer CBD isolado para dor crônica apenas em pesquisa clínica e recomenda novos estudos em fibromialgia e dor neuropática.

Cannabis medicinal é mais eficaz que os remédios tradicionais para dor?

Não há estudos que mostrem superioridade da cannabis medicinal sobre os tratamentos estabelecidos para dor crônica. Na revisão Cochrane de 2018, o benefício em relação ao placebo foi pequeno, e os efeitos adversos foram mais frequentes. A cannabis medicinal pode ser considerada como complemento, quando outras opções não trouxeram alívio suficiente.

Quais são os efeitos colaterais da cannabis medicinal para dor?

Na revisão Cochrane de 2018 sobre dor neuropática em adultos, efeitos no sistema nervoso ocorreram em 61% dos participantes com cannabis e em 29% com placebo. Transtornos psiquiátricos ocorreram em 17% e em 5%, respectivamente. O abandono do tratamento por efeitos adversos foi de 10% com cannabis e de 5% com placebo.

A cannabis medicinal ajuda na fibromialgia?

As evidências sobre cannabis medicinal na fibromialgia ainda são insuficientes. O NICE incluiu a fibromialgia entre as condições em que recomenda novas pesquisas com canabidiol (CBD). O tratamento da fibromialgia com melhor base científica envolve atividade física regular, cuidado com o sono, apoio psicológico e, quando indicado, medicamentos.

Quais outros artigos da INKI ajudam a entender cannabis medicinal para dor?

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Conteúdo informativo, produzido pela Equipe Editorial INKI. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo. Pensamentos de suicídio: ligue 188 (CVV), 24 horas.

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