
CBD na epilepsia refratária: indicações e evidências
O canabidiol (CBD) purificado tem as evidências mais consistentes da cannabis medicinal. Ensaios clínicos controlados mostraram redução de crises em epilepsias refratárias, como as síndromes de Dravet e de Lennox-Gastaut. O CBD é usado junto com outros anticonvulsivantes, com acompanhamento de neurologista e exames de função do fígado.
Pontos-chave
Epilepsia refratária é a epilepsia que não fica controlada com os anticonvulsivantes disponíveis.
O CBD purificado foi estudado em ensaios controlados nas síndromes de Dravet, de Lennox-Gastaut e no complexo da esclerose tuberosa.
O CBD é usado sempre em associação com anticonvulsivantes, nunca como primeiro tratamento.
O CBD pode alterar as enzimas do fígado e interagir com outros medicamentos.
Convulsão que dura mais de 5 minutos ou crises seguidas sem recuperação da consciência são emergência: ligue 192 (SAMU).
O que é epilepsia refratária?
Epilepsia refratária é a epilepsia em que as crises continuam mesmo com o uso adequado de anticonvulsivantes. Segundo nota da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE) estima que cerca de 30% das crianças e adolescentes com epilepsia não têm controle adequado com os medicamentos disponíveis.
Algumas síndromes epilépticas graves da infância costumam ser refratárias, como a síndrome de Dravet, a síndrome de Lennox-Gastaut e a epilepsia associada ao complexo da esclerose tuberosa. Nessas síndromes, o canabidiol (CBD) purificado foi estudado em ensaios clínicos controlados.
Quais são os sinais de que a epilepsia não está controlada?
Os sinais de epilepsia não controlada indicam a necessidade de rever o tratamento com o neurologista. A revisão inclui dose, uso regular dos remédios, tipo de epilepsia e possíveis gatilhos.
Crises frequentes: mesmo com o uso correto dos anticonvulsivantes.
Crises com queda: quedas súbitas por perda de força ou rigidez do corpo.
Crises prolongadas ou em sequência: com recuperação lenta entre elas.
Atraso ou regressão do desenvolvimento: em crianças com síndromes epilépticas.
Efeitos adversos que limitam a dose: sonolência excessiva ou alterações de comportamento.
Qual é a diferença entre CBD purificado e outros produtos de cannabis na epilepsia?
Na epilepsia, a diferença entre o CBD purificado e outros produtos de cannabis está no nível de evidência. Os ensaios clínicos controlados usaram CBD purificado, com dose padronizada. Os resultados desses ensaios não se aplicam automaticamente a extratos com outros canabinoides.
O que se sabe sobre o CBD purificado?
Foi testado em ensaios clínicos controlados com placebo nas síndromes de Dravet e de Lennox-Gastaut.
Foi usado como tratamento adicional aos anticonvulsivantes.
Tem composição e dose padronizadas.
O que se sabe sobre extratos e outros produtos de cannabis?
Os estudos observacionais com produtos de cannabis tiveram, em sua maioria, risco sério ou crítico de viés, segundo revisão sistemática de 2018 (Stockings e colaboradores).
A composição pode variar entre produtos.
Não há a mesma base de ensaios controlados que existe para o CBD purificado.
Como é feita a avaliação para uso de CBD na epilepsia?
A avaliação para uso de CBD na epilepsia é feita pelo neurologista ou pelo neuropediatra. O especialista confirma o tipo de epilepsia, revisa os anticonvulsivantes já usados e verifica se o caso é refratário. O CBD só é considerado depois dos tratamentos estabelecidos. Pela Resolução RDC nº 1.015/2026 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em vigor desde 4 de maio de 2026, os produtos de cannabis só podem ser prescritos a pacientes sem alternativa terapêutica satisfatória com medicamentos regularizados no país (art. 35). O acesso é pela farmácia ou por importação autorizada (RDC nº 660/2022).
Eletroencefalograma: registra a atividade elétrica do cérebro e ajuda a classificar a epilepsia.
Ressonância magnética: investiga lesões no cérebro.
Diário de crises: registra tipo, duração e frequência das crises antes e depois de qualquer mudança.
Exames de função do fígado: antes do início e durante o uso do CBD.
Revisão de medicamentos: identifica possíveis interações com outros anticonvulsivantes.
Qual é o tratamento com CBD na epilepsia refratária?
O CBD é usado como tratamento adicional, junto com os anticonvulsivantes, e nunca isolado, conforme nota conjunta da SBP e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Em revisão sistemática de 2018, com 291 participantes, 43,5% dos que usaram CBD tiveram redução de pelo menos 50% das crises, contra 25% dos que usaram placebo.
Na mesma revisão, os efeitos adversos, incluindo aumento das enzimas do fígado, foram mais frequentes com CBD do que com placebo. A agência reguladora dos Estados Unidos (Food and Drug Administration, FDA) cita também sonolência, diarreia e perda de apetite.
Importante
O uso em outras epilepsias é fora das indicações estudadas, e a eficácia nesses casos ainda não está bem definida.
Quando procurar um médico?
Procure o neurologista se as crises aumentarem, mudarem de padrão ou se surgirem efeitos adversos, como sonolência intensa, diarreia persistente ou pele e olhos amarelados.
Emergência
Ligue 192 (SAMU) se a convulsão durar mais de 5 minutos, se as crises se repetirem sem recuperação da consciência, se houver dificuldade para respirar ou ferimento grave.
Como a INKI acompanha pacientes com epilepsia?
A INKI oferece consultas particulares por teleconsulta ou presenciais com médicos selecionados, com CRM e RQE informados nos perfis. Adultos e crianças com epilepsia podem agendar consulta em neurologia ou neuropediatria para revisar o diagnóstico, os medicamentos e o controle das crises.
Receitas e pedidos de exames são emitidos com assinatura digital, válidos em todo o Brasil, exceto quando a norma sanitária exige formulário próprio. Produtos de cannabis com até 0,2% de THC exigem Receita de Controle Especial. Acima de 0,2% de THC, exigem Notificação de Receita A. A consulta gera nota fiscal, que pode ser usada no pedido de reembolso ao plano de saúde. O agendamento é feito pelo WhatsApp (11) 5444-2444.
Perguntas frequentes sobre CBD na epilepsia
CBD cura epilepsia?
Não. O canabidiol (CBD) não cura a epilepsia. Em ensaios clínicos com síndromes refratárias, o CBD reduziu a frequência de crises em parte dos pacientes, mas poucos ficaram sem crises. Em revisão sistemática de 2018, 7,8% dos pacientes com CBD e 0,7% dos pacientes com placebo ficaram livres de crises. O CBD é um tratamento adicional.
O CBD pode substituir os anticonvulsivantes?
Não. O canabidiol (CBD) foi estudado como tratamento adicional, associado aos anticonvulsivantes. A nota conjunta da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) afirma que o CBD nunca deve ser usado como tratamento único. Suspender anticonvulsivantes por conta própria aumenta o risco de crises graves.
Quais exames são necessários durante o uso de CBD?
O acompanhamento do canabidiol (CBD) na epilepsia inclui exames de enzimas do fígado, porque o CBD pode causar lesão hepática, segundo a agência reguladora dos Estados Unidos (Food and Drug Administration, FDA). O neurologista também pode pedir dosagem de outros anticonvulsivantes, por causa das interações. A frequência dos exames é definida em consulta.
Crianças podem usar CBD para epilepsia?
Em casos selecionados. As síndromes de Dravet e de Lennox-Gastaut começam na infância, e os ensaios clínicos incluíram crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) restringe a indicação às epilepsias refratárias, após falha dos tratamentos estabelecidos, e alerta que a segurança a longo prazo no cérebro em desenvolvimento ainda não é conhecida.
Quais outros artigos da INKI ajudam a entender cbd na epilepsia?
Fontes
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Conteúdo informativo, produzido pela Equipe Editorial INKI. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo. Pensamentos de suicídio: ligue 188 (CVV), 24 horas.







