
Cólica ou APLV? Como diferenciar o choro do bebê
A cólica do bebê causa choro intenso e difícil de acalmar em bebês saudáveis, mais comum no fim da tarde e à noite, e costuma melhorar até os 3 ou 4 meses. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) costuma vir com outros sinais, como sangue nas fezes, vômitos, lesões de pele ou pouco ganho de peso.
Pontos-chave
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) cita a definição clássica de cólica do bebê: choro inconsolável por pelo menos 3 horas por dia, em 3 dias da semana, por mais de 3 semanas. Os critérios de Roma IV, mais recentes, não exigem contar horas: basta choro prolongado e recorrente, sem causa aparente, em bebê saudável de até 5 meses.
Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a cólica do bebê costuma começar nas primeiras semanas de vida e parar por volta dos 3 a 4 meses.
Segundo a SBP, a APLV raramente é a causa da cólica do bebê.
Sangue ou muco nas fezes, eczema, vômitos persistentes e pouco ganho de peso apontam para APLV ou outra doença.
O aleitamento materno não deve ser interrompido por causa da cólica.
O que é cólica do bebê e o que é APLV?
A cólica do bebê é um padrão de choro prolongado e difícil de acalmar em um bebê saudável, que mama bem e ganha peso. A cólica do bebê não é uma doença e desaparece sozinha com o amadurecimento do bebê. A causa exata da cólica ainda não é conhecida.
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma reação do sistema de defesa do corpo às proteínas do leite de vaca. A APLV pode surgir em bebês que tomam fórmula à base de leite de vaca e, menos vezes, em bebês amamentados, pela passagem das proteínas da dieta da mãe para o leite materno.
Quais são os sintomas da cólica do bebê?
Os sintomas da cólica do bebê aparecem em crises, com o bebê bem entre elas. Segundo o NHS, o choro costuma piorar no fim da tarde e à noite. Os sinais mais comuns da cólica do bebê são:
Choro intenso e prolongado: difícil de acalmar, mesmo com colo e mamada.
Horário repetido: crises mais frequentes no fim da tarde e à noite.
Punhos cerrados: o bebê fecha as mãos com força durante o choro.
Rosto avermelhado: comum durante as crises de choro.
Bem-estar entre as crises: o bebê mama, dorme e ganha peso normalmente.
Por que o bebê tem cólica?
Segundo a SBP, as causas da cólica do bebê não são conhecidas com exatidão. A explicação mais aceita é que vários fatores se somam nos primeiros meses de vida, quando o sistema digestivo e o sistema nervoso do bebê ainda estão amadurecendo. A cólica do bebê tende a desaparecer sozinha.
Os fatores estudados pela SBP incluem:
Imaturidade do sistema nervoso.
Alterações no movimento do intestino.
Alterações nos hormônios do intestino e na flora intestinal.
Fatores do ambiente familiar.
Raramente, alergia à proteína do leite de vaca.
Qual a diferença entre cólica e APLV?
A cólica do bebê e a APLV podem causar choro intenso, mas a APLV costuma trazer outros sinais no corpo. O bebê com cólica fica bem entre as crises. O bebê com APLV pode ter alterações nas fezes, na pele ou no ganho de peso, além de vômitos.
Quais sinais combinam mais com cólica do bebê?
Choro em crises, principalmente no fim da tarde e à noite.
Fezes normais, sem sangue ou muco.
Pele sem lesões.
Ganho de peso adequado.
Quais sinais sugerem APLV?
Reações imediatas, de minutos até 2 horas após o leite de vaca: urticária, inchaço, vômitos ou diarreia.
Reações tardias, de 2 a 72 horas após o leite de vaca: diarreia, intestino preso, refluxo ou vômitos.
Muco ou sangue nas fezes.
Eczema, que é a pele seca, vermelha e com coceira.
Recusa alimentar ou pouco ganho de peso.
Quais sinais exigem atendimento de emergência?
Respiração ruidosa ou dificuldade para respirar.
Inchaço da língua, dos lábios ou da garganta.
Bebê mole, pálido ou difícil de acordar.
Choro fraco, muito agudo ou diferente do habitual.
Nesses casos, ligue para o SAMU 192 ou procure o pronto-socorro imediatamente.
Como é feito o diagnóstico de cólica e de APLV?
O diagnóstico de cólica e de APLV é clínico e feito pelo pediatra. O primeiro passo é descartar outras causas de choro, como fome, frio, calor, fralda suja ou infecção. Segundo a SBP, nem todo choro inconsolável é cólica, por isso o bebê precisa ser examinado.
História clínica: horário e duração do choro, alimentação, fezes, pele e histórico de alergia na família.
Exame físico e curva de peso: mostram se o bebê está crescendo bem.
Dieta de exclusão supervisionada: retirada do leite de vaca da dieta da mãe que amamenta ou troca da fórmula, por período definido pelo pediatra.
Reintrodução planejada: volta do leite de vaca com acompanhamento, para confirmar ou descartar a APLV.
Qual é o tratamento da cólica e da APLV?
A cólica do bebê não tem tratamento que a elimine, e o cuidado busca o conforto do bebê e o apoio à família. Colo e ambiente calmo podem ajudar. A SBP desaconselha chás e troca de fórmula sem orientação do pediatra e reforça que o aleitamento materno exclusivo nunca deve ser interrompido para reduzir a cólica.
Na APLV, o tratamento é retirar as proteínas do leite de vaca da alimentação do bebê. Se o bebê mama no peito, a mãe segue uma dieta sem leite de vaca e continua amamentando. Se o bebê usa fórmula, o pediatra indica uma fórmula adequada.
Importante
Segundo o consenso da SBP e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a reintrodução do leite pode ser testada a cada 6 a 12 meses, sempre com acompanhamento médico.
Quando procurar um médico pelo choro do bebê?
Procure o pediatra se o choro do bebê vier acompanhado de febre, vômitos persistentes, sangue ou muco nas fezes, lesões de pele, recusa das mamadas ou pouco ganho de peso. Também procure o pediatra se a cólica continuar após os 4 meses ou se a família estiver com dificuldade de lidar com o choro.
Bebê com menos de 3 meses e temperatura de 38 °C ou mais, ou de 3 a 6 meses com 39 °C ou mais, precisa de avaliação médica urgente, no mesmo dia. Bebê com febre não deve ser considerado como tendo cólica.
Emergência
Em sinais de emergência, ligue para o SAMU 192.
Como a INKI acompanha bebês com cólica ou suspeita de APLV?
A INKI oferece consultas particulares de pediatria por teleconsulta ou presenciais, com médicos selecionados. CRM e RQE são informados nos perfis. Na consulta, o pediatra avalia o padrão do choro, a alimentação, as fezes e a curva de peso do bebê e orienta a família sobre os próximos passos. Em algumas regiões, a INKI também oferece consulta pediátrica domiciliar.
Receitas e pedidos de exames são emitidos com assinatura digital, válidos em todo o Brasil. A INKI emite nota fiscal para pedido de reembolso ao plano de saúde. O agendamento é feito pelo WhatsApp (11) 5444-2444.
Perguntas frequentes sobre cólica ou APLV
Até quando dura a cólica do bebê?
Segundo o NHS, a cólica do bebê costuma começar quando o bebê tem poucas semanas de vida e parar por volta dos 3 a 4 meses. Em alguns bebês, a cólica pode durar um pouco mais. Se a cólica do bebê continuar após os 4 meses, o NHS orienta procurar avaliação médica para investigar outras causas do choro.
A alimentação da mãe causa cólica no bebê?
Na maioria dos casos, não. Segundo a SBP, a cólica do bebê raramente é causada por alergia à proteína do leite de vaca vinda da dieta da mãe. Se o pediatra suspeitar de APLV, pode orientar a retirada do leite de vaca da dieta materna por um período. Se houver melhora, a reintrodução supervisionada confirma ou descarta a alergia.
Bebê com APLV pode continuar mamando no peito?
Sim. O aleitamento materno é mantido na maioria dos bebês com APLV. A mãe segue uma dieta sem leite de vaca e derivados, com orientação do pediatra e, se possível, de nutricionista, para evitar falta de cálcio e de outros nutrientes.
Devo trocar a fórmula ou dar chá para o bebê com cólica?
Não sem orientação. A SBP desaconselha a troca de fórmula e o uso de chás para cólica sem indicação do pediatra. A troca de fórmula sem diagnóstico pode atrasar a identificação da causa real do choro, e o bebê com menos de 6 meses em aleitamento exclusivo não precisa de outros líquidos. O pediatra avalia se há sinais de APLV antes de qualquer mudança.
Quais outros artigos da INKI ajudam a entender cólica ou aplv?
Fontes
Sociedade Brasileira de Pediatria. Pediatria para Famílias: Cólica do lactente
BMC Pediatrics. Critérios de Roma IV para cólica do lactente, 2022
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Conteúdo informativo, produzido pela Equipe Editorial INKI. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo. Pensamentos de suicídio: ligue 188 (CVV), 24 horas.







