Cólica ou APLV? Como diferenciar o choro do bebê

Cólica ou APLV? Como diferenciar o choro do bebê

Por Equipe editorial INKI8 min de leituraPublicado em Atualizado em

A cólica do bebê causa choro intenso e difícil de acalmar em bebês saudáveis, mais comum no fim da tarde e à noite, e costuma melhorar até os 3 ou 4 meses. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) costuma vir com outros sinais, como sangue nas fezes, vômitos, lesões de pele ou pouco ganho de peso.

Pontos-chave

  • A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) cita a definição clássica de cólica do bebê: choro inconsolável por pelo menos 3 horas por dia, em 3 dias da semana, por mais de 3 semanas. Os critérios de Roma IV, mais recentes, não exigem contar horas: basta choro prolongado e recorrente, sem causa aparente, em bebê saudável de até 5 meses.

  • Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a cólica do bebê costuma começar nas primeiras semanas de vida e parar por volta dos 3 a 4 meses.

  • Segundo a SBP, a APLV raramente é a causa da cólica do bebê.

  • Sangue ou muco nas fezes, eczema, vômitos persistentes e pouco ganho de peso apontam para APLV ou outra doença.

  • O aleitamento materno não deve ser interrompido por causa da cólica.

O que é cólica do bebê e o que é APLV?

A cólica do bebê é um padrão de choro prolongado e difícil de acalmar em um bebê saudável, que mama bem e ganha peso. A cólica do bebê não é uma doença e desaparece sozinha com o amadurecimento do bebê. A causa exata da cólica ainda não é conhecida.

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma reação do sistema de defesa do corpo às proteínas do leite de vaca. A APLV pode surgir em bebês que tomam fórmula à base de leite de vaca e, menos vezes, em bebês amamentados, pela passagem das proteínas da dieta da mãe para o leite materno.

Quais são os sintomas da cólica do bebê?

Os sintomas da cólica do bebê aparecem em crises, com o bebê bem entre elas. Segundo o NHS, o choro costuma piorar no fim da tarde e à noite. Os sinais mais comuns da cólica do bebê são:

  1. Choro intenso e prolongado: difícil de acalmar, mesmo com colo e mamada.

  2. Horário repetido: crises mais frequentes no fim da tarde e à noite.

  3. Punhos cerrados: o bebê fecha as mãos com força durante o choro.

  4. Rosto avermelhado: comum durante as crises de choro.

  5. Bem-estar entre as crises: o bebê mama, dorme e ganha peso normalmente.

Por que o bebê tem cólica?

Segundo a SBP, as causas da cólica do bebê não são conhecidas com exatidão. A explicação mais aceita é que vários fatores se somam nos primeiros meses de vida, quando o sistema digestivo e o sistema nervoso do bebê ainda estão amadurecendo. A cólica do bebê tende a desaparecer sozinha.

Os fatores estudados pela SBP incluem:

  • Imaturidade do sistema nervoso.

  • Alterações no movimento do intestino.

  • Alterações nos hormônios do intestino e na flora intestinal.

  • Fatores do ambiente familiar.

  • Raramente, alergia à proteína do leite de vaca.

Qual a diferença entre cólica e APLV?

A cólica do bebê e a APLV podem causar choro intenso, mas a APLV costuma trazer outros sinais no corpo. O bebê com cólica fica bem entre as crises. O bebê com APLV pode ter alterações nas fezes, na pele ou no ganho de peso, além de vômitos.

Quais sinais combinam mais com cólica do bebê?

  • Choro em crises, principalmente no fim da tarde e à noite.

  • Fezes normais, sem sangue ou muco.

  • Pele sem lesões.

  • Ganho de peso adequado.

Quais sinais sugerem APLV?

  • Reações imediatas, de minutos até 2 horas após o leite de vaca: urticária, inchaço, vômitos ou diarreia.

  • Reações tardias, de 2 a 72 horas após o leite de vaca: diarreia, intestino preso, refluxo ou vômitos.

  • Muco ou sangue nas fezes.

  • Eczema, que é a pele seca, vermelha e com coceira.

  • Recusa alimentar ou pouco ganho de peso.

Quais sinais exigem atendimento de emergência?

  • Respiração ruidosa ou dificuldade para respirar.

  • Inchaço da língua, dos lábios ou da garganta.

  • Bebê mole, pálido ou difícil de acordar.

  • Choro fraco, muito agudo ou diferente do habitual.

Nesses casos, ligue para o SAMU 192 ou procure o pronto-socorro imediatamente.

Como é feito o diagnóstico de cólica e de APLV?

O diagnóstico de cólica e de APLV é clínico e feito pelo pediatra. O primeiro passo é descartar outras causas de choro, como fome, frio, calor, fralda suja ou infecção. Segundo a SBP, nem todo choro inconsolável é cólica, por isso o bebê precisa ser examinado.

  • História clínica: horário e duração do choro, alimentação, fezes, pele e histórico de alergia na família.

  • Exame físico e curva de peso: mostram se o bebê está crescendo bem.

  • Dieta de exclusão supervisionada: retirada do leite de vaca da dieta da mãe que amamenta ou troca da fórmula, por período definido pelo pediatra.

  • Reintrodução planejada: volta do leite de vaca com acompanhamento, para confirmar ou descartar a APLV.

Qual é o tratamento da cólica e da APLV?

A cólica do bebê não tem tratamento que a elimine, e o cuidado busca o conforto do bebê e o apoio à família. Colo e ambiente calmo podem ajudar. A SBP desaconselha chás e troca de fórmula sem orientação do pediatra e reforça que o aleitamento materno exclusivo nunca deve ser interrompido para reduzir a cólica.

Na APLV, o tratamento é retirar as proteínas do leite de vaca da alimentação do bebê. Se o bebê mama no peito, a mãe segue uma dieta sem leite de vaca e continua amamentando. Se o bebê usa fórmula, o pediatra indica uma fórmula adequada.

💡

Importante

Segundo o consenso da SBP e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a reintrodução do leite pode ser testada a cada 6 a 12 meses, sempre com acompanhamento médico.

Quando procurar um médico pelo choro do bebê?

Procure o pediatra se o choro do bebê vier acompanhado de febre, vômitos persistentes, sangue ou muco nas fezes, lesões de pele, recusa das mamadas ou pouco ganho de peso. Também procure o pediatra se a cólica continuar após os 4 meses ou se a família estiver com dificuldade de lidar com o choro.

Bebê com menos de 3 meses e temperatura de 38 °C ou mais, ou de 3 a 6 meses com 39 °C ou mais, precisa de avaliação médica urgente, no mesmo dia. Bebê com febre não deve ser considerado como tendo cólica.

🚨

Emergência

Em sinais de emergência, ligue para o SAMU 192.

Como a INKI acompanha bebês com cólica ou suspeita de APLV?

A INKI oferece consultas particulares de pediatria por teleconsulta ou presenciais, com médicos selecionados. CRM e RQE são informados nos perfis. Na consulta, o pediatra avalia o padrão do choro, a alimentação, as fezes e a curva de peso do bebê e orienta a família sobre os próximos passos. Em algumas regiões, a INKI também oferece consulta pediátrica domiciliar.

Receitas e pedidos de exames são emitidos com assinatura digital, válidos em todo o Brasil. A INKI emite nota fiscal para pedido de reembolso ao plano de saúde. O agendamento é feito pelo WhatsApp (11) 5444-2444.

Perguntas frequentes sobre cólica ou APLV

Até quando dura a cólica do bebê?

Segundo o NHS, a cólica do bebê costuma começar quando o bebê tem poucas semanas de vida e parar por volta dos 3 a 4 meses. Em alguns bebês, a cólica pode durar um pouco mais. Se a cólica do bebê continuar após os 4 meses, o NHS orienta procurar avaliação médica para investigar outras causas do choro.

A alimentação da mãe causa cólica no bebê?

Na maioria dos casos, não. Segundo a SBP, a cólica do bebê raramente é causada por alergia à proteína do leite de vaca vinda da dieta da mãe. Se o pediatra suspeitar de APLV, pode orientar a retirada do leite de vaca da dieta materna por um período. Se houver melhora, a reintrodução supervisionada confirma ou descarta a alergia.

Bebê com APLV pode continuar mamando no peito?

Sim. O aleitamento materno é mantido na maioria dos bebês com APLV. A mãe segue uma dieta sem leite de vaca e derivados, com orientação do pediatra e, se possível, de nutricionista, para evitar falta de cálcio e de outros nutrientes.

Devo trocar a fórmula ou dar chá para o bebê com cólica?

Não sem orientação. A SBP desaconselha a troca de fórmula e o uso de chás para cólica sem indicação do pediatra. A troca de fórmula sem diagnóstico pode atrasar a identificação da causa real do choro, e o bebê com menos de 6 meses em aleitamento exclusivo não precisa de outros líquidos. O pediatra avalia se há sinais de APLV antes de qualquer mudança.

Quais outros artigos da INKI ajudam a entender cólica ou aplv?

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Conteúdo informativo, produzido pela Equipe Editorial INKI. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo. Pensamentos de suicídio: ligue 188 (CVV), 24 horas.

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